Arquivos do Blog

Patriarcalismo no Tarô e sua Influência nos Jogos


Quem se sente incomodado com o patriarcalismo do Tarô e fica bloqueado na hora de utilizá-lo, deve se lembrar que, em primeiro lugar, ele é um retrato de uma época e não uma regra de conduta para os nossos tempos e, segundo, que todos nós temos aspectos femininos e masculinos dentro de nós.

Então, mesmo que antigamente acreditassem que somente os homens poderiam ter a intrepidez de um Carro ou a autoridade de um Imperador (e que homens não iriam manifestar uma Sacerdotisa), atualmente é comum e evidente que as mulheres sejam igualmente capazes de tais características, sem que precisem ser denominadas de “masculinas”.

Rainha de Espadas – Art Nouveau Tarot

Portanto, se sair uma Rainha de Espadas, por exemplo, não pense automaticamente que se trata de uma mulher terrível. Pense que o arcano fala, em essência, de uma pessoa vingativa e rancorosa, que pode ser na prática um homem ou uma mulher.

Afinal, a carta em si não tem nada a ver com o gênero, embora a representação tenha nascido assim (antigamente era impensável e até feio uma mulher, cuja obrigação era ser dócil, aparecer armada para a guerra e mostrar frieza). Deve-se, portanto, separar o contexto histórico (importante, na hora do aprendizado) da interpretação dos nossos jogos do dia a dia.

http://vanessamazza.com.br

Anúncios

Dos símbolos à vida real


14731324_1364328210273840_1064384482304836725_n

É comum que os consulentes queiram um nível de detalhamento super preciso quando consultam o Tarô. Porém, temos que nos lembrar que os arcanos são formados por símbolos e eles, por si só, são um pouco generalistas. Assim, mesmo que haja a especificidade da energia contida neles – o sucesso do Sol é diferente da vitória do Carro ou da realização do Imperador – não é possível saber exatamente como as coisas irão acontecer na vida real.

Se o tarólogo começar a tentar deduzir demais os detalhes dos acontecimentos narrados pelas cartas, é quando a consulta começa a ficar realmente especulativa. Por isso, é preciso cuidado ao ficar “chutando” possibilidades, pois o consulente tende a gravar só estas deduções, se esquecendo da interpretação primordial.

Por exemplo, podemos dizer que você irá conseguir algo, mas tal irá lhe decepcionar. O consulente vai querer saber: por que vai me decepcionar?

  • No caso do 3 de Espadas, podemos afirmar que verdades duras terão que ser aceitas ou que, após ter a coisa na mão, o brilho da conquista irá passar;
  • Com o 5 de Copas, veremos expectativas frustradas, no sentido emocional;
  • No 8 de Copas, poderemos entender um arrependimento;
  • Enquanto que no 5 de Espadas, um constrangimento, uma canseira.

Porém, é complicado neste ponto saber, só por estas cartas e sem fazer novos jogos, quais são as verdades duras, quais são as expectativas, de onde virá o arrependimento, etc.

Dependendo do que o consulente trouxer, poderemos deduzir e ajudar a pensar, mas não necessariamente o que imaginarmos é o que se verificará depois.

Pode parecer incômodo não saber exatamente o que irá acontecer, porém, seria muita prepotência acreditar que teríamos este poder. Nem mesmo a ciência, com seus instrumentos precisos, consegue acertar 100%.

Então, antes ficar grato por ter um pouco mais de clareza sobre o momento presente e os caminhos que estamos percorrendo e o que podemos encontrar (afinal, se vamos nos decepcionar, precisamos mudar/corrigir algo no aqui-agora, não é mesmo?), do que perder tempo numa busca por precisão que, em essência, não altera o resultado.

Tarô e Símbolos: Mago


Ancien Tarot de Marseille

Ancien Tarot de Marseille

Usando o Tarô de Marselha, podemos visualizar alguns símbolos na carta do Mago:

Chapéu com forma de lemniscata – Infinito, perfeição, inteligência, criatividade.

Mesa com 4 cantos – Representativo da realidade, poder pessoal, altar.

Bastões, espadas, taças e moedas – Naipes do Tarô, referentes aos 4 elementos. Recursos à disposição do Mago.

Jovem em pé – Vigor, audácia e aspiração.

Mãos em movimento – Atividades pessoais.

Bastão na mão esquerda – Poder mágico, desejo, magnetismo, elemento fogo. Direção, energia masculina.

Moeda na mão direita – Poder material, realização, elemento terra.

Referências culturais: Os mágicos interpretados por Christian Bale e Hugh Jackman, no filme O Grande Truque, mostram um pouco da brincadeira da prestidigitação do Mago, assim o O Ilusionista, com Edward Norton. Alladin com sua capacidade de improvisação e grande potencial também é um bom exemplo das capacidades “em estado bruto” do Mago.

Bibliografia: Nei Naiff, Tarô – Vida e Destino/ Hajo Banzhaf, Manual do Tarô/ Kim Huggens, Tarot 101/ 

Tarô e Símbolos: Lua


Dusserre-Marteau_-_XVIII_-_La_Lune

Usando o Tarô de Marselha, podemos visualizar alguns símbolos na carta da Lua:

Lua – sentimentos instintivos, associada com loucura, histeria e menstruação.

Lago – segredos, sentimentos inertes e perigosos. Espelho no qual o mundo é refletido, mas sem clareza.

Água – mudança, fluxo

Lagostim – psique imutável/ideologias ultrapassadas. Primeiro estágio do despertar humano no oceano primitivo. Ameaça.

Duas Torres – confronto futuro, necessidade de balanço. Torres douradas de Jerusalém.

Raios – inconsciente humano

Lobos – chamado selvagem ou insano

Cães – o irmão do lobo domesticado, o potencial latente para o lado selvagem. Guardiões do inferno. Sabedoria instintiva.

Só por estes símbolos, já inferimos que a carta fala de tudo aquilo que está oculto, como o inconsciente, os medos, os instintos, as paixões, muitos dos quais podem ser referentes ao nosso lado mais primitivo e, portanto, perigoso para nós se não for bem canalizado ou “domesticado”. Daí a necessidade da busca pelo equilíbrio por meio da adaptação ao fluxo da vida, com a prática do autoconhecimento.

Referências culturais: A Bela Adormecida é um exemplo de algo que fica dormente e que precisa ser desperto. Assim, como Cinderela, que evoca a imaginação e o “sonhar acordado”. Ambas são histórias românticas, com amores idealizados, possuem magia e coisas ocultas na noite. O filme O Lobisomem (2010) com Benicio Del Toro é outro bom exemplo da Lua, pela parte do instinto feroz e selvagem.

Bibliografia: Nei Naiff, Tarô – Vida e Destino/ Hajo Banzhaf, Manual do Tarô/ Kim Huggens, Tarot 101/ Lisa Hunt, Once upon a time

Tarô e Símbolos: Julgamento


Tarot de Marseille de Paul Marteau - Editions Dusserre

Tarot de Marseille de Paul Marteau – Editions Dusserre

Usando o Tarô de Marselha, podemos visualizar alguns símbolos na carta do Julgamento:

Anjo – ligação entre o mundo espiritual e material. Esta figura também representa o Arcanjo Gabriel, chamado tanto “da Ressurreição”, quanto “do Apocalipse”.

Trombeta – anunciação divina e destino. Geralmente é soprado pelo anjo anunciador. Trata-se de uma forma de “acordar” as pessoas de sua ignorância.

Luz solar – felicidade. Contém o mesmo simbolismo da carta do Sol.

Bandeira – nação, tribo, região. Pode ser um símbolo de triunfo.

Lápide – expiação. Os corpos saindo, numa atitude de ressurreição indicam o despertar da alma em direção à perfeição.

Só por estes símbolos, já inferimos que a carta fala de alguma espécie de salvação ou intervenção divina, de arrependimento dos “pecados”, renovação e análise da própria vida, assim como a libertação e o perdão.

Referências culturais: O renascimento de Gandalf no Senhor dos Anéis, se transformando de Cinzento para Branco, é um exemplo dessa carta. Ou do Patinho Feio, que se descobriu um lindo cisne.

Bibliografia: Nei Naiff, Tarô – Vida e Destino/ Hajo Banzhaf, Manual do Tarô/ Kim Huggens, Tarot 101/ Lisa Hunt, Once upon a time

Dicas para ler as cartas de Tarô


Para quem começa a ler as cartas, a variedade de significados é tão extensa ou às vezes, dependendo do livro que se usa, tão pequena, que fica difícil entender o que cada uma delas quer dizer de pronto. Por isso, o primeiro erro que o estudante pode cometer é ter muita pressa em decorar as palavras-chaves das cartas (para começar a usá-las logo), antes mesmo de entender a figura, seus símbolos, seu contexto, os arquétipos que traz à tona, etc. Assim, não é surpresa quando esta mesma pessoa se surpreende com um detalhe ou outro da figura. Ora, ela está manipulando aquelas cartas há meses e só agora reparou na cor da veste do personagem, na posição do bastão ou no animal que enfeita o trono de um rei? Pois é…tem gente que demora anos para enxergar de fato estes detalhes, o que nos dá a sensação de que, no momento em que se sabe o significado, não se olha mais as cartas verdadeiramente, perdendo-se muito no processo.

Portanto, seguem algumas dicas* para evitar que este alheamento aconteça:

*Válidas na maioria para quem usa os Tarôs clássicos, como Marselha e Waite

Waite_-_VII_-_Der_Wagen (1) Waite_-_Schwerter_04 Waite_-_Kelche_04 (1) Waite_-_II_-_Die_Hohepriesterin

  1. Observe a ação ou a falta de ação dos personagens – O 4 de Espadas e o de Copas mostram a questão da parada pois, em ambos os casos, os personagens estão “descansando”. No primeiro está deitado, no segundo sentado sob uma árvore. Já o Carro está em movimento, enquanto o Louco anda à pé e a Sacerdotisa está sentada;
  2. Repare nas cores – Tal como na cromoterapia, as cores têm sentido, mas é importante conhecer o autor para que a cor usada faça sentido naquela carta específica;
  3. Veja como os objetos na cena estão dispostos – No 5 de Copas, ter taças em pé nas costas do personagem já traz a noção de que nem tudo está perdido, é só o consulente que não está vendo, posto que chora em frente às que estão caídas;
  4. Atente ao número da carta – O Ás tem a noção de começo tal como o número 1. Por isso, você pode associá-la ao Mago (1);
  5. Nas numeradas, o naipe tem um significado que pode agregar informações – As cartas de copas falam do mundo emocional, dos sonhos, das vontades, enquanto que as de ouros, informam mais sobre a vida material. Por isso que um 3 de Copas é mais alegria e divertimento por estarmos juntos e o 3 de Ouros tem algo efetivamente sendo feito, materializado;
  6. Aprenda mais sobre símbolos e o que significam – Sem o conhecimento simbólico, se perdem muitas informações. É possível fazer as leituras do mesmo modo, porém, para o tarólogo é sempre bom se reciclar e estudar;
  7. Entenda o contexto histórico no qual as cartas foram desenhadas – Atualmente alguns conteúdos se perderam do nosso cotidiano. Por isso, é difícil de entender o que era um Pajem, qual o trabalho do bobo da corte, o contexto da Torre sendo atingida por um raio, e o ato de se pendurar alguém de ponta cabeça;
  8. Preste atenção na sensação que tem ao olhar a carta – Se olharmos atentamente a carta, nossa intuição pode aflorar, nos dando pistas do seu sentido, mesmo quando nos falta conhecimento profundo. Embora não possamos contar só com isso, ela pode nos dar uma ajuda valiosa em paralelo.

Waite_-_Scheiben_03 Waite_-_Kelche_05 Waite_-_Kelche_03

%d blogueiros gostam disto: