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Patriarcalismo no Tarô e sua Influência nos Jogos


Quem se sente incomodado com o patriarcalismo do Tarô e fica bloqueado na hora de utilizá-lo, deve se lembrar que, em primeiro lugar, ele é um retrato de uma época e não uma regra de conduta para os nossos tempos e, segundo, que todos nós temos aspectos femininos e masculinos dentro de nós.

Então, mesmo que antigamente acreditassem que somente os homens poderiam ter a intrepidez de um Carro ou a autoridade de um Imperador (e que homens não iriam manifestar uma Sacerdotisa), atualmente é comum e evidente que as mulheres sejam igualmente capazes de tais características, sem que precisem ser denominadas de “masculinas”.

Rainha de Espadas – Art Nouveau Tarot

Portanto, se sair uma Rainha de Espadas, por exemplo, não pense automaticamente que se trata de uma mulher terrível. Pense que o arcano fala, em essência, de uma pessoa vingativa e rancorosa, que pode ser na prática um homem ou uma mulher.

Afinal, a carta em si não tem nada a ver com o gênero, embora a representação tenha nascido assim (antigamente era impensável e até feio uma mulher, cuja obrigação era ser dócil, aparecer armada para a guerra e mostrar frieza). Deve-se, portanto, separar o contexto histórico (importante, na hora do aprendizado) da interpretação dos nossos jogos do dia a dia.

http://vanessamazza.com.br

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Dos símbolos à vida real


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É comum que os consulentes queiram um nível de detalhamento super preciso quando consultam o Tarô. Porém, temos que nos lembrar que os arcanos são formados por símbolos e eles, por si só, são um pouco generalistas. Assim, mesmo que haja a especificidade da energia contida neles – o sucesso do Sol é diferente da vitória do Carro ou da realização do Imperador – não é possível saber exatamente como as coisas irão acontecer na vida real.

Se o tarólogo começar a tentar deduzir demais os detalhes dos acontecimentos narrados pelas cartas, é quando a consulta começa a ficar realmente especulativa. Por isso, é preciso cuidado ao ficar “chutando” possibilidades, pois o consulente tende a gravar só estas deduções, se esquecendo da interpretação primordial.

Por exemplo, podemos dizer que você irá conseguir algo, mas tal irá lhe decepcionar. O consulente vai querer saber: por que vai me decepcionar?

  • No caso do 3 de Espadas, podemos afirmar que verdades duras terão que ser aceitas ou que, após ter a coisa na mão, o brilho da conquista irá passar;
  • Com o 5 de Copas, veremos expectativas frustradas, no sentido emocional;
  • No 8 de Copas, poderemos entender um arrependimento;
  • Enquanto que no 5 de Espadas, um constrangimento, uma canseira.

Porém, é complicado neste ponto saber, só por estas cartas e sem fazer novos jogos, quais são as verdades duras, quais são as expectativas, de onde virá o arrependimento, etc.

Dependendo do que o consulente trouxer, poderemos deduzir e ajudar a pensar, mas não necessariamente o que imaginarmos é o que se verificará depois.

Pode parecer incômodo não saber exatamente o que irá acontecer, porém, seria muita prepotência acreditar que teríamos este poder. Nem mesmo a ciência, com seus instrumentos precisos, consegue acertar 100%.

Então, antes ficar grato por ter um pouco mais de clareza sobre o momento presente e os caminhos que estamos percorrendo e o que podemos encontrar (afinal, se vamos nos decepcionar, precisamos mudar/corrigir algo no aqui-agora, não é mesmo?), do que perder tempo numa busca por precisão que, em essência, não altera o resultado.

Tarô e Símbolos: Mago


Ancien Tarot de Marseille

Ancien Tarot de Marseille

Usando o Tarô de Marselha, podemos visualizar alguns símbolos na carta do Mago:

Chapéu com forma de lemniscata – Infinito, perfeição, inteligência, criatividade.

Mesa com 4 cantos – Representativo da realidade, poder pessoal, altar.

Bastões, espadas, taças e moedas – Naipes do Tarô, referentes aos 4 elementos. Recursos à disposição do Mago.

Jovem em pé – Vigor, audácia e aspiração.

Mãos em movimento – Atividades pessoais.

Bastão na mão esquerda – Poder mágico, desejo, magnetismo, elemento fogo. Direção, energia masculina.

Moeda na mão direita – Poder material, realização, elemento terra.

Referências culturais: Os mágicos interpretados por Christian Bale e Hugh Jackman, no filme O Grande Truque, mostram um pouco da brincadeira da prestidigitação do Mago, assim o O Ilusionista, com Edward Norton. Alladin com sua capacidade de improvisação e grande potencial também é um bom exemplo das capacidades “em estado bruto” do Mago.

Bibliografia: Nei Naiff, Tarô – Vida e Destino/ Hajo Banzhaf, Manual do Tarô/ Kim Huggens, Tarot 101/ 

Tarô e Símbolos: Lua


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Usando o Tarô de Marselha, podemos visualizar alguns símbolos na carta da Lua:

Lua – sentimentos instintivos, associada com loucura, histeria e menstruação.

Lago – segredos, sentimentos inertes e perigosos. Espelho no qual o mundo é refletido, mas sem clareza.

Água – mudança, fluxo

Lagostim – psique imutável/ideologias ultrapassadas. Primeiro estágio do despertar humano no oceano primitivo. Ameaça.

Duas Torres – confronto futuro, necessidade de balanço. Torres douradas de Jerusalém.

Raios – inconsciente humano

Lobos – chamado selvagem ou insano

Cães – o irmão do lobo domesticado, o potencial latente para o lado selvagem. Guardiões do inferno. Sabedoria instintiva.

Só por estes símbolos, já inferimos que a carta fala de tudo aquilo que está oculto, como o inconsciente, os medos, os instintos, as paixões, muitos dos quais podem ser referentes ao nosso lado mais primitivo e, portanto, perigoso para nós se não for bem canalizado ou “domesticado”. Daí a necessidade da busca pelo equilíbrio por meio da adaptação ao fluxo da vida, com a prática do autoconhecimento.

Referências culturais: A Bela Adormecida é um exemplo de algo que fica dormente e que precisa ser desperto. Assim, como Cinderela, que evoca a imaginação e o “sonhar acordado”. Ambas são histórias românticas, com amores idealizados, possuem magia e coisas ocultas na noite. O filme O Lobisomem (2010) com Benicio Del Toro é outro bom exemplo da Lua, pela parte do instinto feroz e selvagem.

Bibliografia: Nei Naiff, Tarô – Vida e Destino/ Hajo Banzhaf, Manual do Tarô/ Kim Huggens, Tarot 101/ Lisa Hunt, Once upon a time

Tarô e Símbolos: Julgamento


Tarot de Marseille de Paul Marteau - Editions Dusserre

Tarot de Marseille de Paul Marteau – Editions Dusserre

Usando o Tarô de Marselha, podemos visualizar alguns símbolos na carta do Julgamento:

Anjo – ligação entre o mundo espiritual e material. Esta figura também representa o Arcanjo Gabriel, chamado tanto “da Ressurreição”, quanto “do Apocalipse”.

Trombeta – anunciação divina e destino. Geralmente é soprado pelo anjo anunciador. Trata-se de uma forma de “acordar” as pessoas de sua ignorância.

Luz solar – felicidade. Contém o mesmo simbolismo da carta do Sol.

Bandeira – nação, tribo, região. Pode ser um símbolo de triunfo.

Lápide – expiação. Os corpos saindo, numa atitude de ressurreição indicam o despertar da alma em direção à perfeição.

Só por estes símbolos, já inferimos que a carta fala de alguma espécie de salvação ou intervenção divina, de arrependimento dos “pecados”, renovação e análise da própria vida, assim como a libertação e o perdão.

Referências culturais: O renascimento de Gandalf no Senhor dos Anéis, se transformando de Cinzento para Branco, é um exemplo dessa carta. Ou do Patinho Feio, que se descobriu um lindo cisne.

Bibliografia: Nei Naiff, Tarô – Vida e Destino/ Hajo Banzhaf, Manual do Tarô/ Kim Huggens, Tarot 101/ Lisa Hunt, Once upon a time

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