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Previsões Hipotéticas


Justiça – Da Vinci Tarot

É um pouco complicado especular situações hipotéticas no Tarô, pois as cartas geralmente partem do real, do que existe no presente para traçarem suas previsões.

Então, se alguém ainda não pensa em namorar você, nem é apaixonado (uma Justiça com 2 de Espadas, por exemplo), é muito difícil ver como seria o relacionamento, caso fossem casados, que seria uma super extrapolação da situação.

Afinal, a outra pessoa tem um longo caminho a percorrer ainda. Primeiro tem que gostar de você, pensar em se envolver, depois cogitar um namoro, resolver noivar, casar para aí então, estabelecer uma convivência.

Portanto, enquanto as cartas estiverem dizendo que a pessoa não sente e não pensa, fazer esta projeção não serve para muita coisa.

Na verdade, só pode iludir, pois, se sair algo muito positivo, irá se esquecer o presente e agir como se o futuro imaginado já fosse algo palpável, quando não é.

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Tarô não é vidência


Por mais detalhistas que possamos ser com o Tarô, nunca iremos ver exatamente o que as cartas sugerem, embora isso frustre os clientes.

Por exemplo, se vemos um convite no Pajem de Copas, não dá para saber se virá por email, carta, telefone ou por meio de um encontro casual. Se vemos ilusões na Lua, caberá ao consulente fazer sua investigação interna e preencher as lacunas, pois, como saberemos o tipo de pensamento e imagens que aparecem na mente dessa pessoa?

Penso que esta expectativa venha muito da associação de Tarô com vidência. Como se, ao olharmos as cartas, estivéssemos literalmente enxergando o evento futuro, como num filme. Não é a toa que muitos dizem: “o você vê?” ao invés de “o que as cartas estão dizendo?”.

Oswald Wirth Tarot

Até onde perguntar?


Embora o Tarô possa sanar uma série de curiosidades, é importante se perguntar se estamos respeitando nosso tempo e do tarólogo ao dedicar tanta atenção a pormenores que, no fim, não são relevantes para a situação sobre a qual queremos saber.

Por exemplo, se a outra pessoa não nos ama e não ficará conosco, faz sentido querer saber se ela entra em nosso perfil nas redes sociais? Ou se sabemos que alguém tem interesse em nós, por que iremos perguntar se em determinado dia estava ou não olhando para nós? O que as respostas irão trazer de aprendizado?

Como diz a Rainha de Copas, nem tudo precisa ser dito ou conhecido.

Imagem: Oswald Wirth Tarot

Capacidade Imaginativa do Tarólogo


Tem vezes que, após algum tempo da consulta, o cliente volta e diz que nela não havia tido a indicação de um determinado acontecimento e que fora “pego de surpresa”.

Se a consulta foi feita corretamente, a explicação para isso é que, quando fazemos as tiragens, existe uma gama de possibilidades que aquelas cartas podem abarcar na vida cotidiana, deduções que, para serem mais próximas da realidade, irão depender de nossa experiência de vida e imaginação.

Mago – Oswald Wirth Tarot

Então, se o consulente quer saber sobre um processo jurídico e não sabemos nada de Direito, será complicado sugerir acontecimentos específicos.

Podemos dizer claramente o que as cartas estão afirmando, seja sucesso, fracasso, adiamento, obstáculos, rapidez ou demora, mas, sem referência, como iremos deduzir que o atraso visto nas cartas se referia a um embargo? ou a um recesso do tribunal? ou que a mudança indesejada que saiu em relação ao concurso teria a ver com problemas na gestão do Estado? Que as limitações que saíram no trabalho do consulente falavam sobre a quebra de seu computador?

Esta expectativa do detalhe vem do fato de que muitos consulentes esperam que o tarólogo seja vidente, quando, na prática, está imaginando possibilidades, a partir da essência de cada arcano.

O que podemos fazer para encontrar um caminho do meio é, de um lado, orientarmos os consulentes a não exigirem o que as cartas não podem dar e, de outro, melhorarmos nossa gama interpretativa, por meio da busca de mais conhecimento, ficando atentos ao que acontece no mundo.

Importância da contextualização das perguntas


Se você está lendo para alguém que não conhece, é interessante saber um pouco sobre o cenário no qual as questões estão inseridas, não para simular respostas e fazer adivinhações, como os detratores do Tarô gostam de pensar, mas para sermos mais objetivos nas respostas.

Não queremos saber a vida inteira do consulente, apenas que ele nos dê alguns parâmetros. Afinal, quando ele diz: “quero ver sobre trabalho”, isso é muito vago, pois pode estar desempregado, empregado, num negócio próprio, estudando para concurso, etc. Sem estas informações, as respostas com certeza serão mais generalistas.

Por exemplo:

“Quero ver sobre trabalho”

Sai: Imperador 

o imperador

  1. Se a pessoa está trabalhando, isso é sinal de que as coisas ficarão como estão (sem promoção), de forma estável, podendo melhorar no longo prazo;
  2. Se a pessoa está desempregada, ela continuará assim, talvez dependendo financeiramente de outras pessoas;
  3. Se estuda para concurso, podemos ver capacidade de passar, mas com ambição desmedida. Pode estar visando concursos além da própria capacidade;
  4. Se possui um negócio próprio, tal está seguro e bem administrado, mas sem lucros ou expansão por enquanto.

Se a pessoa nada diz, pode-se apenas dizer que as coisas ficarão na mesma, que existe estabilidade, segurança, mas pouco crescimento. Eu posso deduzir que talvez a pessoa tenha algum posto de liderança, mas estaria “chutando”.

A questão é que, com esta resposta mais aberta, o consulente vai acabar retornando para saber detalhes: “tá, mas eu vou conseguir a promoção? ou o emprego? ou passar na prova?”.

Ou seja, se já tivesse dito antes, a resposta já teria sido mais clara e direta!

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