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Série Sobre os Egos – Qual é o Seu? – III – A Mãezona (A Imperatriz)


Cada Arcano Maior retrata em profundidade aspectos muito enraizados de nossas personalidades, que são demonstradas simbolicamente por meio dos arquétipos universais – uma espécie de base psíquica existente em todos os seres humanos, que identifica símbolos e conceitos, independente de cultura e educação – que, desde o Egito Antigo, como se acredita, vêm ilustrando as cartas do baralho e igualmente suas consultas.

O terceiro Arcano Maior do tarô é A Imperatriz. No Tarô Mitológico, ela é representada pelo mito de Deméter (chamada de Ceres pelos Romanos), a deusa que representava a vida, a colheita, a abundância e também a maternidade.

Assim, com o mesmo desvelo e atenção com que Deméter nutria a terra, a pessoa representada por este ego nutre suas relações pessoais: como uma grande mãe. Entretanto, como este estudo vem revelar mais o aspecto negativo do ego do que as boas qualidades associadas ao Arcano, a pessoa regida pela carta da Imperatriz pode ser chamada de A Mãezona.

A Mãezona (ou o Paizão) é aquela pessoa que vive para agradar e ajudar aqueles que admira e gosta. Enche a vida dessas pessoas com pequenos gestos carinhosos e agradáveis surpresas. Faz muito mais do que é pedido e parece estar sempre vigiando seu objeto de atenção, em busca de alguma necessidade a suprir. Assim, dedica grande parte do seu dia-a-dia a resolver problemas alheios, gastando preciosa energia vital e desvalorizando-se gradativamente.

Pois, quando vivemos nossa vida em função de outra pessoa, deixamos de realizar muito por nós mesmos. Não praticamos atividades que gostamos, não cuidamos do nosso próprio corpo, não conseguimos falar “não”, tudo por acreditar que se falharmos alguma vez, se não suprirmos “aquela necessidade”, seremos rejeitamos e deixados de lado.

Quando se vive de maneira tão intrinsecamente ligada aos desejos de outro(s) ser(es) humano(s), perdemos nossa essência e acabamos ficamos extremamente dependentes. Se o outro está feliz, ficamos felizes, se está triste, nos entristecemos, tal como uma verdadeira mãezona, que não consegue se desvincular da vida de seus pequenos (que nunca vê crescer) e que chega mesmo a desejar secretamente que não se tornem independentes, para que ela continue sendo grande em suas vidas. Grande e necessária.

Se você se reconhece neste perfil, é importante começar a reparar onde sua vida termina e começa a do outro. Se nos dedicamos demais ao amigo(a), namorado(a), marido(a), amante, familiar, não só o sufocamos com tanto afeto, a ponto de sermos considerados “pegajosos”, como acabamos por tirar o mérito das conquistas que eles possam alcançar, assumindo inclusive culpas por erros que foram de única responsabilidade deles.

Além disso, ao não vivermos de fato nossas vidas, ficamos estacionados no tempo e deixamos de evoluir, aprender, conhecer outras pessoas. Fora que sempre seremos perseguidos pelo fantasma da ingratidão. A maioria das pessoas atendidas com todo este desvelo de mãe, costuma não retribuir à altura e até a ficar mal-acostumado, a ponto de exigir cada vez mais, não libertando ou acordando a Mãezona da ilusão em que vive.

É preciso, portanto, ser firme para deixar que as pessoas que amamos caminhem com as próprias pernas. Muitas vezes as veremos cair e sofreremos ao saber que não devemos sair correndo para levantá-las, pois é este esforço ao se reerguer que as farão mais fortes.

Devemos igualmente não confundir sacrifício moral e abnegação com o ego da Mãezona. Grandes Espíritos que vivem e viveram neste mundo foram exemplos magníficos de dedicação ao próximo. A diferença entre eles e o nosso ego da Imperatriz, é que eles nunca esperaram nada em troca e muito menos deram exclusividade de cuidados a poucos. Eles abraçaram o mundo.

Então, cuide de si mesmo em primeiro lugar, enchendo-se de carinho e atenção e livre-se do apego. Todos nós somos livres e temos nosso livre-arbítrio. É bom começar a usá-lo adequadamente.

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Série Sobre os Egos – II – O Passivo (A Sacerdotisa)


O segundo Arcano Maior do tarô é A Sacerdotisa, também conhecida por A Papisa. No Tarô Mitológico, ela é representada pelo mito de Perséfone, que foi raptada do mundo à luz do dia, para se tornar esposa de Hades, o deus das Profundezas.
E, de fato, a Sacerdotisa é uma carta sempre associada com o interior, com aquilo que está oculto, com a profundidade do inconsciente, a intuição, a receptividade e a sensibilidade.

Ela também costuma ser a imagem do autoconhecimento, já que segura em suas mãos um grande livro e tem em seu semblante um olhar sereno e de observação contínua do mundo ao seu redor.Porém, quando analisamos o sentido oposto, percebemos que as pessoas, cujo ego pode ser representado por esta lâmina, são extremamente passivas, com medo de viver, de agir. Pessoas que, com sua timidez, não conseguem avançar ou mostrar seus talentos ou verdades e que acabam seguindo a tendência a tudo concordar e aceitar, por não saberem lidar com a adversidade, as opiniões contrárias ou mesmo com o confronto direto. Constantemente elas preferem se abster de se manifestar, revelar seu “eu” verdadeiro, de modo a melhor se protegerem do mundo e das reações adversas.

Esta insegurança crônica pode levá-las, a longo prazo, a se tornarem seres humanos de caráter servilista, daqueles que vendem sua alma para conseguir pequenos favores e manter garantida sua posição na sociedade.Geralmente são pessoas que podem até mesmo passar uma aparência de confiabilidade e tranqüilidade exteriormente, mas que em seu interior escondem mares de tensão, medos e inseguranças. Querem falar, se expressar, mostrar suas vontades, mas temem serem repreendidas, já que não possuem a força necessária para lutar por aquilo que acreditam.

Se você se reconhece neste perfil, é importante começar a acreditar mais na própria capacidade, valorizando-se a si mesmo como indivíduo único no Universo. Deus nunca criaria algo sem valor ou que não possuísse meios de contribuir de maneira original ao mundo. As pessoas passivas precisam perceber que não existe ninguém melhor que ninguém e que toda comparação que traçamos são tolas, pois o que existem são estágios diferentes de evolução. Ora, não se compara uma criança a um adulto, muito menos um músico a um engenheiro mecânico.

Também não se deve confundir servilismo com humildade. Ser humilde é reconhecer o nosso lugar dentro de um contexto determinado, sabendo exatamente quais são nossas virtudes e nossas fraquezas e ser servilista é se colocar abaixo dos outros, utilizando-se de técnicas para envaidece-los, exclusivamente para obter deles favores.

Analise friamente quem você é e com o que pode contribuir, esforçando-se para passar isso à diante. Muitas pessoas talvez não se interessem pelo que você tem a dizer, mas muitos outros irão parar para ouvi-lo. E seu trabalho, suas idéias e suas palavras podem mudar para melhor a vida de muita gente. Acredite!

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Série Sobre os Egos – I – O Workaholic (O Mago)


Como havia dito na Introdução dessa Série, cada Arcano Maior retrata em profundidade aspectos muito enraizados de nossas personalidades, que são demonstradas simbolicamente por meio dos arquétipos universais – uma espécie de base psíquica existente em todos os seres humanos, que identifica símbolos e conceitos, independente de cultura e educação – que, desde o Egito Antigo, como se acredita, vêm ilustrando as cartas do baralho e igualmente suas consultas.

O primeiro (em alguns casos, segundo) Arcano Maior do baralho é chamado de Mago, que numa leitura mitológica também é conhecido pelo deus Hermes, aquele que simboliza a rapidez, os caminhos e a comunicação. Geralmente se vê O Mago representado por um homem que dispõe de muitas ferramentas e que domina vários elementos. Numa leitura positiva, ele demonstra curiosidade, habilidade, inteligência e sagacidade, assim como espírito de juventude, criatividade e vanguarda.

Dentro da leitura dos egos – esse aspecto de nosso ser que forma nossa personalidade e a exterioriza através de ações boas e más – O Mago representa a típica pessoa viciada em trabalho, distúrbio popularmente conhecido por “workaholic”.

Na vida prática, é alguém que perdeu o foco da sua atividade; que fundiu de tal maneira sua vida com seu trabalho, que todos seus conceitos a respeito de moralidade, certo e errado e de hábitos em geral ficaram totalmente agregados ao mundo corporativo.É aquela pessoa que não se permite parar um instante para alongar as pernas; que se culpa por pensar em tirar férias; que não consegue delegar tarefas, nem responsabilidades e que se sobrecarrega a ponto de adoecer.

O que esta pessoa não percebe é que a doença, quando chega, é uma maneira do corpo dizer o óbvio: de que ela precisa se libertar daquela carga inútil. Porque o que existe por baixo de toda esta aura de bom profissional, dedicado e dinâmico é o orgulho de não querer “dividir os louros” com os outros colegas; é a insegurança de ser “passado para trás”, de ser substituído e de não ser mais aceito.

Se você se reconhece neste perfil, é melhor começar a desenvolver mais amor e confiança em si mesmo, lembrando que todos nós somos úteis ao mundo e temos algo a oferecer; que precisamos sim, de ajuda e colaboração das outras pessoas; e que ser feliz, dividindo a vida entre trabalho, lazer e família, é muito mais interessante e nos traz muito mais prosperidade e paz do que querer abraçar e carregar o mundo sozinho.

Se o que lhe motiva a trabalhar tanto é o sentimento de quer trazer segurança a si mesmo e aos outros que porventura dependam de você, tenha em mente que você não é insubstituível e que não cabe a você tudo realizar. Seria muito arrogante de nossa parte pensarmos que, se não fizermos algo, ninguém mais será capaz de fazê-lo.

Realize o que está ao seu alcance, fazendo bem feito e cuidando de si com amor. Pois, no final do dia, o que as pessoas querem de nós é um indivíduo para compartilhar idéias, amor, alegria e não um ser cansado que coloca dinheiro pontualmente todos os meses sobre nossa mesa.

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Série Sobre os Egos – Qual é o Seu? – Introdução


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Buscando inspiração na filosofia grega, principalmente em Platão, Freud estudou o conceito de Ego – introduzindo-o no linguajar comum da população leiga – dizendo que este é o resultado da mistura entre o inconsciente e a realidade exterior que se vale da percepção consciente de cada um.

O Ego é, portanto, a ponte de ligação entre essas diversas tendências interiores e exteriores que ele não só tenta assimilar como também conciliar. Podemos, então, perceber que este nosso “eu” do qual o Ego faz parte é singular (apesar de apresentar similaridades com outros indivíduos), pois se definiu com a somatória de diversos fatores e experiências (inclusive de outras existências, para aqueles que acreditam) e, principalmente, no bom ou mau uso do livre-arbítrio. Em outras palavras, é assim que construímos nossas personalidades.Neste ponto pergunta-se se existe diferença entre personalidade e individualidade.

Segundo Osho, um dos gurus indianos do século XX, personalidade é aquilo que foi imposto pela sociedade e pela educação e individualidade é aquilo que nós somos verdadeiramente e que carregamos ao longo das várias existências.Então, se poderia afirmar que o Ego, fonte de nossa personalidade atual, é algo que, combinado ao conceito do amor-próprio, nos impede de enxergar a Verdade com toda a sua clareza e que nos vicia em tipos de postura e comportamento que, ao invés de nos unir aos seres humanos, só nos afasta.

Isso acontece porque, na maioria das vezes, não reagimos de maneira adequada aos acontecimentos exteriores e não preenchemos as nossas necessidades inconscientes. Vamos, por conseguinte, criando desequilíbrio e tensão, encontrando válvulas de escape e desculpas ou distorções da realidade, nas quais nos escondemos e nos acomodamos, de modo a continuar vivendo com um mínimo de equilíbrio.

Pensando nisso, resolvi criar a Série dos Egos, baseada em parte pelos Arcanos Maiores do Tarô(*), para que as pessoas, ao se reconhecerem em um deles, possam entender melhor os mecanismos que as levam a sofrer ou a reagir mal aos acontecimentos.

(*)Cada Arcano Maior, com sua vasta e complexa simbologia, carrega em si características específicas ligadas às personalidades das pessoas que podem ser facilmente identificáveis mesmo dentro do contexto do mundo atual.

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