Arquivo da categoria: Resenhas de Livros

Tarô e Cultura: O Aletiômetro – A Bússola de Ouro


O Aletiômetro

O Aletiômetro

Comecei a ler recentemente a trilogia de Philip Pullman “Fronteiras do Universo”, cujo primeiro volume se chama A Bússola de Ouro e que foi (mal) adaptado para o cinema em 2007, apesar do grande elenco, composto por nomes como Daniel Craig (007), Nicole Kidman e Eva Green (Penny Dreadful).

Capas da Trilogia

Capas da Trilogia

A premissa da história é bem interessante. Trata-se de um universo paralelo, muito parecido com o nosso, no qual a religião nunca foi separada do governo, ao ponto de chegar, por volta do que parece ser o século XX deles, a única forma de poder existente. Isso fez com que o mundo continuasse naquele clima de Idade Média, no qual a ciência não podia se desenvolver livremente.

Além disso, existem outras espécies de animais e pessoas, como ursos falantes de armadura e feiticeiras. Fora que a alma dos seres humanos fica separada do corpo em forma de um animal específico que, de certa forma, indica que personalidade a pessoa tem, chamado de dimon. Entretanto, os dimons das crianças podem mudar de forma à vontade, só se fixando quando atingem a adolescência.

Lyra e seu dimon, na forma de camundongo. Até onde li, ele já foi gato, morcego, mariposa e arminho.

Lyra e seu dimon, na forma de camundongo. Até onde li, ele já foi gato, morcego, mariposa e arminho.

Lyra é a protagonista. Uma criança que passará por vários perigos e que tem a habilidade única (e essencial) de ler um instrumento oracular, o aletiômetro que, segundo explica o livro, vem do grego alétheia (verdade) e metro (medida). Em outras palavras, um “medidor da verdade”.

Quem não tinha a habilidade intuitiva de Lyra, precisa consultar o livro com os significados dos símbolos.

Quem não tinha a habilidade intuitiva de Lyra, precisa consultar o livro com os significados dos símbolos.

Neste ponto, ele tem uma estrutura parecida com a das cartas ciganas (Lenormand) por possuir 36 símbolos (quadro abaixo, em espanhol), cada um com vários significados. Porém, ao invés de se usar um baralho, o aletiômetro vem na forma de uma bússola, com quatro ponteiros. Para que o sistema funcione, é preciso fazer uma pergunta e ajustar três ponteiros, cada um numa figura que tenha a ver com a pergunta. Com estes ajustados, o quarto ponteiro começa a girar automaticamente, indicando outras figuras como resposta.

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Apesar de mecanicamente simples, o processo de leitura não é. Portanto, só uma pessoa bem treinada em associações de imagens para “sacar” quais os melhores três símbolos para representar uma pergunta e o que o instrumento queria dizer quando apontava outros como resposta.

Fiquei curiosa em saber se nós tarólogos teríamos capacidade de lê-lo, obtendo dele respostas precisas.

Enfim, fica a dica de uma boa leitura!

Fonte:

http://pt-br.fronteirasdouniverso.wikia.com/wiki/Aleti%C3%B4metro

http://pt-br.fronteirasdouniverso.wikia.com/wiki/Lyra_Belacqua

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Livros e um Tarô para ler no Halloween


As imagens abaixo são do Tarô Boêmio Gótico, criado por Alex Ukolov e Karen Mahony, publicado pela Magic Realist Press em 2007.

Não sei se as cartas a seguir são exatamente referentes aos livros que citarei, mas vale a pena a associação pelo espírito do momento. Fica então a dica de um baralho muito bonito e de histórias clássicas do horror mundial.

Este Amantes me remete ao Drácula de Bram Stoker, apaixonado e obsessivo por Mina. Por que dá medo? Porque é apavorante quando somos subjugados por outro ser.

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Já o 3 de Ouros mostra o Dr. Frankenstein e seu monstro, de Mary Shelly. Quem assistiu a série Penny Dreadful deve ter visto mais da história desse ser que voltou dos mortos. Por que dá medo? Porque nem sempre é sábio brincar de Deus e depois não assumir a responsabilidade por sua criação.

bohemian-gothic-06437Frankenstein Mary Shelley

Por fim, o 9 de Copas faz uma alusão (mesmo que só na minha cabeça) à poção do médico Jekyll que o transformava em Sr. Hide, no livro O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson. Por que dá medo? Porque negar nosso lado negativo, pode apenas fazê-lo aflorar da pior maneira possível.

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Resenha Jung e o Tarô – Sallie Nichols: Parte II (O Mago)


Início do Capítulo 4

Início do Capítulo 4

Continuando com a resenha em partes do livro de Sallie Nichols (clique aqui para ler o primeiro post), hoje tratarei do Capítulo 4, referente ao Mago, chamado de “criador e embusteiro” pela autora.

Wirth Moderno

Wirth Moderno

Segundo ela, o arcano de número I se diferencia do Louco por canalizar a energia impulsiva e profunda do inconsciente deste para a humanidade, começando o processo de individuação (como diria Jung) ao utilizar métodos mágicos, que são os objetos que têm a sua disposição sobre a mesa, por estar relacionado a Hermes/Mercúrio, “o deus das revelações”.

Deus Mercúrio

Deus Mercúrio

Assim, entrando na questão da mágica, na qual ela se aprofunda bastante, Nichols afirma que o (página 60):

Mago tem o poder de revelar a realidade fundamental, o estado de ser que constitui a base de tudo.

Isso mostraria um avanço em relação ao Louco, devido a falta de foco e objetivo deste arcano. Por causa disso, durante alguns parágrafos, ela também nos traça a dinâmica de semelhança e disparidade entre Louco e Mago, para mostrar como esta transição do inconsciente para o consciente se opera, já que, tanto um quanto o outro carregam o arquétipo de embusteiro, mas se manifestam de formas distintas. Veja um trecho encontrado nas páginas 59-60:

O Louco nos prega peças; o Mago é capaz de realizar sua mágica diante de nós (…). O Louco é solitário (…). O Mago nos inclui em seus planos (…) O Louco é amador despreocupado; o Mago é um profissional sério.

Scapini

Scapini – A sabedoria que vem do conhecimento

Porém, nem sempre o Mago é visto com bons olhos, muitas vezes mostrando sua contradição nas páginas do Capítulo. Afinal, ele pode ser tanto aquele que nos ilumina com seu conhecimento, quanto o que nos engana e ilude nas feiras medievais com seus truques.

Dürer

Dürer – O ilusionista das praças

De todo modo, de acordo com a autora, o Tarô de Waite tira um pouco dessa roupagem negativa, em relação ao que é indicado pelo Tarô de Marselha, por exemplo. Então, ela aproveita o ensejo para discorrer sobre todos os elementos em cena na carta, tais como o chapéu e o bastão. A varinha do Mago, por exemplo, chega a ser comparada a batuta de um condutor de orquestra e o que isso simbolizaria dentro do contexto do arcano.

Waite

Waite – O lado mais bonito do Mago

Por fim, ela faz um esboço sobre os temas da criação e alquimia, terminando com a certeza de que (página 80):

o Mago nos ajuda a envolver-nos no mundo dos sonhos (…) e nos ajuda a fazer que (…) se realizem.

Coisa que com o Louco não seria possível, com seu caráter solto e sem nenhuma direção.

Tarô Medieval - O lado alquímico do Mago

Tarô Medieval – O lado alquímico do Mago

Veja aqui outros textos sobre o Mago:

Tarô e Símbolos: Mago

Você se parece com o Mago?

Tarô e Profissões: Mago

Tarô e Cultura: Mago – Merlin

Boas maneiras com o Tarô: Mago

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Resenha Jung e o Tarô – Sallie Nichols: Parte I (O Louco)


Capa do livro

Capa do livro

O livro de Sallie Nichols, publicado pela primeira vez em 1988 (minha edição é de 2007 pela Cultrix), não é uma obra fácil de resenhar, devido a sua complexidade. Por isso, resolvi comentar arcano por arcano, já que os capítulos estão assim divididos, para que se compreenda melhor do que se trata o livro.

Segundo João Henrique Bianco, em sua resenha no Clube do Tarô, Nichols foi aluna de Jung em Zurique. Como postei aqui no blog, Jung chegou a conhecer o Tarô, mas não o estudou profundamente. Assim, devemos a esta mulher a continuação do que ele poderia ter feito. Outro que perseguiu este caminho – de relacionar a teoria junguiana com as cartas – foi Robert Wang, com seu Tarô Junguiano, também resenhado aqui.

A referida obra de Nichols, com 374 páginas, começa com uma introdução ao Tarô, nos relatando sobre sua origem histórica (fatos que podemos também acompanhar na trilogia de Nei Naiff). Depois, ela explica seu modelo de estudo nos apresentando O Mapa da Jornada, indicando os arquétipos para cada arcano, afinal, ela parte do princípio de que quem lê o livro não necessariamente é um conhecedor das cartas.

Em relação ao arcano de número 0 ou XXII, apenas no capítulo 3 é que ela discorrerá sobre ele, afirmando que este é “o mais poderoso de todos os Trunfos do Tarô”. Assim, faz um retrospecto do papel do Louco ao longo dos tempos, remetendo até à criação e à Bíblia, relembrando figuras como o bobo da corte (bufão) e trazendo curiosidades sobre baralhos medievais. Tudo isso, claro, sob a ótica junguiana.

Uma das coisas mais intrigantes, a meu ver, é o estudo sobre a origem da palavra Louco em várias línguas (inglesa, francesa, italiana) e aos objetos que ela remete, indo desde uma gaita de fole ao fogo, passando pelo bufão (sapo) e o obtuso.

Festa dos Tolos Imagem retirada de http://www.constelar.com.br/

Festa dos Tolos
Imagem retirada de http://www.constelar.com.br/

Quem conhece a história do Corcunda de Notre Dame, de Vitor Hugo, sabe da Festa dos Tolos, na qual por um dia todos invertiam papéis. Os nobres viravam camponeses e vice-versa. Desta, outra festa importante nasceu: o Carnaval que, até hoje, mantém esta conotação de “suspensão das convenções”, quando tudo é possível e o único objetivo é a diversão.

Old English Tarot

Old English Tarot

Por fim, pela autora, o Louco influencia nossa vida de maneira criativa, pois “sua curiosidade impulsiva impele-nos para sonhos impossíveis, ao passo que sua natureza folgazã tenta atrair-nos de volta ao laissez-faire dos dias de infância.” Ou seja, “sem ele nunca empreenderíamos a tarefa do autoconhecimento.”

Veja aqui outros textos sobre o Louco:

Tarô e Cultura – Louco e o Bobo da Corte

Tarô e Cultura – Louco – Sátiros/Faunos

O que você faz quando é atingido pela infantilidade do Louco?

Boas maneiras com o Tarô: Louco

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Resenha: Curso de Tarô e Seu Uso Terapêutico – Veet Pramad


Este foi um dos primeiros livros de Tarô que li e realmente influenciou a forma como eu jogo, que visa mais a parte psicológica e comportamental do que simplesmente a oracular, apesar de ela sempre existir em todas as consultas. Afinal, todo mundo quer saber o que vai acontecer!

Nesta obra, Veet Pramad faz um dossiê amplo sobre cada carta, contando a história, falando da simbologia e relacionando o Tarô à Árvore da Vida da cabala. Ele também traz alguns conceitos de astrologia e numerologia e os relaciona às cartas.

Adaptando a tiragem da Cruz Céltica para uma leitura mais de diagnóstico emocional, ele utiliza o Tarô de Crowley, que nunca foi um dos meus favoritos, como base interpretativa, o que leva algumas cartas a terem sentido diverso se comparadas ao Tarô de Waite. Por exemplo, o 7 de Ouros, que fala de mudança de rumo, de colheita, de revisão de caminhos para o último, se torna a imagem do fracasso para o primeiro.

Para autoconhecimento, as leituras que se pode fazer dentro deste sistema são bastante profundas e interessantes, porém, devo admitir que nunca levei muito em consideração as relações numéricas e astrológicas das cartas, focando mais no aspecto psicológico, nos comportamentos humanos que podem ser visualizados através dos significados das cartas. Por exemplo, uma pessoa regida pelo Carro sempre quer vencer, não importa se será bom para ela ou não.

Assim, as posições da Cruz Céltica para Veet são: Momento Atual/ Oposição (que mostram as energias do momento presente)/Âncora (o grande defeito, por assim dizer)/ Método (como superar a Âncora)/ Caminho do Crescimento (primeiros resultados ao se seguir o Método)/ Necessidade Interna (do que o consulente realmente precisa)/ Relacionamentos (como se relaciona)/ Infância (o que traz da infância para este momento)/ Resultado Interno/ Resultado Externo (o que pode conseguir interna e externamente se seguir os aconselhamentos).

O bom do livro é que ele pode ser usado como guia pessoal, pois traz os significados de cada carta dentro de cada um das posições listadas acima. Portanto, no caso de consultas para nós mesmos, podemos nos eximir das dúvidas interpretativas que acontecem quando estamos vendo nossa própria vida.

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