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Ler Tarô pode nos fazer mal?


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Recentemente recebi um email que me relatava sobre o fato de que muitas pessoas que trabalham com cartomancia possuem vidas confusas e, por isso, ficam constantemente doentes. Assim, a pessoa queria saber o que eu fazia para me manter em equilíbrio.

Como se trata de uma questão interessante e um fato que eu também já notei em colegas, coloco minha resposta abaixo sobre o que faço para não me contaminar durante as consultas:

Respondendo sua dúvida, eu tento levar o Tarô da forma mais profissional possível, não me apegando, nem sofrendo com os problemas dos consulentes. Afinal, é muito normal a gente ter empatia e compaixão pelos sofrimentos alheios, acabando por confundir as coisas e, no processo, se desgastando.

Por isso, as pessoas que acabam ficando mal (e doentes) nesta profissão são justamente aquelas que acham que somos ou devemos ser amigos dos clientes, não impondo nenhum tipo de limite a eles, seja atendendo a qualquer horário, seja repetindo a mesma pergunta, só para que se acalme ou batendo papo ao invés de ler as cartas, etc).

Na verdade, os consulentes nada tem a ganhar com isso, pois neste movimento, acabamos perdemos a objetividade e imparcialidade, até porque nosso trabalho não pode ser confundido com o de um médico ou psicólogo, mesmo que nossas leituras muitas vezes esbarrem nestas áreas.

Isso não significa, porém, que eu esteja 100% imune à energia das pessoas que consultam comigo. Se a pessoa está muito desesperada, irada ou inconformada, eu acabo sentindo. Então, tento não atender pessoas que estejam muito afetadas emocionalmente, encaminhando-as para suas famílias, amigos ou terapeutas, que são as pessoas mais indicadas no momento, do mesmo modo como não faço consultas se estou me sentindo cansada. Nestas horas, é melhor atender menos pessoas, mas com tranquilidade, do que ficar recebendo uma pessoa atrás da outra.

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Qual é o melhor Tarô para brasileiros?


Penso que o melhor Tarô seja o mais tradicional, aquele no qual os conteúdos simbólicos sofreram menos alteração, até porque o significado de cada carta vem de seus símbolos universais, o que pode ser perdido ou mal-interpretado, quando se modifica demais as imagens, justamente para que fiquem mais parecidas com determinada cultura.

Neste sentido, o melhor Tarô para os brasileiros, é o melhor para qualquer povo, a saber o Marselha e, depois, o Rider-Waite.

Agora, para que fique mais claro, segue um exemplo:

O Eremita traz em si o arquétipo da sabedoria, autoconhecimento e solidão, pois todas as culturas possuem esta imagem internalizada do “velho da montanha”, do “asceta da floresta”, do “peregrino”.

Rider-Waite Tarot

Rider-Waite Tarot

Porém, se, apenas por uma questão artística, começamos a inventar muito, usando símbolos que não se associam a estes significados, passamos apenas a reconhecer uma carta como a do Ermitão apenas porque seu nome está escrito nela.

Nesta versão abaixo, temos um homem tocando um instrumento, o que dá a impressão de alegria e movimento. Poderíamos associá-lo ao Louco.

Etruscan Tarot

Etruscan Tarot

Já nesta, um elfo alcança uma moeda no topo de uma montanha, o que pode passar a impressão de coragem, empenho, determinação, dignas de um Carro.

Tarot of the Elves

Tarot of the Elves

Por fim, temos uma moça jovem e bonita segurando uma lâmpada. Teríamos a tendência a associá-la mais a uma Rainha ou à Sacerdotisa, do que ao Eremita.

China Tarot

China Tarot

É possível ver nomes nas cartas?


Tarô-15

Não.

Tem vezes que as pessoas querem ver nas cartas o nome de seu futuro companheiro.

Isso nunca vai acontecer e por uma simples razão: o conjunto simbólico das cartas não se se presta a isso. Afinal, teria que haver um sistema único que determinasse que toda vez que saísse uma carta, ela correspondesse a um determinado nome.

Porém, como fazê-lo?

Sol seriam nomes começados com S? Mas não temos todas as letras do alfabeto contidas nos Arcanos Maiores: M, S, I, I, S, E, C, J, E, R, F, P, M, T, D, T, E, L, S, J, M, L (onde estariam o A, B, G, H, N, O, Q, U, V, X, Z, K, W e Y?). Teríamos que usar os Arcanos Menores? E os Maiores que tem dois ou três nomes, como Sacerdote/Papa/ Hierofante, Sacerdotisa/Papisa, Enforcado/Pendurado…até porque, na vida de uma pessoa, a diferença entre Eduardo e Paulo poderá ser fundamental! E nem estamos pensando em sobrenomes ainda…

Logo, uma pessoa virar uma carta, como a Lua, por exemplo e afirmar: o nome do seu futuro marido será José de Souza, é absurda e ridícula. A não ser que exista uma mediunidade, sobre a qual não pretendo discutir, no final das contas, o resultado será o mesmo: nomes não podem ser vistos nas cartas. Mesmo que se acerte, terá sido no chute, na adivinhação ou na dedução pelo histórico do consulente.

Agora, o que o Tarô pode afirmar é se esta pessoa irá se casar, se será feliz no casamento, se tal demorará a acontecer, se a pessoa com quem namora poderá ser sua companheira de longo prazo, etc.

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Por que o tempo da previsão nem sempre é certeiro?


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Para perguntas objetivas, tais como: “irei conseguir uma promoção até o final do ano?”, podemos ter uma reposta mais ou menos assim: “sim, provavelmente no segundo semestre”.

Eis então que o tempo passa e um consulente dá um feedback dizendo que a promoção veio, de fato, mas no primeiro semestre. Outro pode afirmar que veio no começo do ano seguinte.

Por que a promoção não aconteceu exatamente no segundo semestre como previsto?

A resposta está no comportamento do consulente.

Se ele continua dentro de sua tendência anterior à consulta, o resultado será o que foi previsto. Se, no entanto, ele seguir o conselho proposto na leitura, que era o que estava atrapalhando a promoção, ele conseguirá que tal seja adiantado. Mas, se além de não seguir o conselho, ele piorar suas atitudes, o desfecho poderá ser atrasado e, algumas vezes, até eliminado. Este último caso acontece quando a pessoa é reativa e não aceita certas verdades sobre si mesma.

Para explicar isso, vamos supor que o que impedia a promoção era uma atitude muito servilista do consulente. Ele ajudava demais, nunca mostrava o que pensava e, na empresa onde trabalhava, o que a chefia desejava era justamente uma pessoa mais direta, que soubesse enfrentar a autoridade, quando necessário. Então, com o conselho para ser mais assertivo, o consulente, que tinha dificuldade em sê-lo, poderia ficar com raiva, achando um absurdo ter que ficar dizendo aos patrões o que era certo ou errado, se tornando ainda mais introspectivo. Isso poderia tanto atrasar a promoção, quanto fazê-lo se tornar obsoleto, sendo mandado embora.

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