Resenha Jung e o Tarô – Sallie Nichols: Parte I (O Louco)


Capa do livro

Capa do livro

O livro de Sallie Nichols, publicado pela primeira vez em 1988 (minha edição é de 2007 pela Cultrix), não é uma obra fácil de resenhar, devido a sua complexidade. Por isso, resolvi comentar arcano por arcano, já que os capítulos estão assim divididos, para que se compreenda melhor do que se trata o livro.

Segundo João Henrique Bianco, em sua resenha no Clube do Tarô, Nichols foi aluna de Jung em Zurique. Como postei aqui no blog, Jung chegou a conhecer o Tarô, mas não o estudou profundamente. Assim, devemos a esta mulher a continuação do que ele poderia ter feito. Outro que perseguiu este caminho – de relacionar a teoria junguiana com as cartas – foi Robert Wang, com seu Tarô Junguiano, também resenhado aqui.

A referida obra de Nichols, com 374 páginas, começa com uma introdução ao Tarô, nos relatando sobre sua origem histórica (fatos que podemos também acompanhar na trilogia de Nei Naiff). Depois, ela explica seu modelo de estudo nos apresentando O Mapa da Jornada, indicando os arquétipos para cada arcano, afinal, ela parte do princípio de que quem lê o livro não necessariamente é um conhecedor das cartas.

Em relação ao arcano de número 0 ou XXII, apenas no capítulo 3 é que ela discorrerá sobre ele, afirmando que este é “o mais poderoso de todos os Trunfos do Tarô”. Assim, faz um retrospecto do papel do Louco ao longo dos tempos, remetendo até à criação e à Bíblia, relembrando figuras como o bobo da corte (bufão) e trazendo curiosidades sobre baralhos medievais. Tudo isso, claro, sob a ótica junguiana.

Uma das coisas mais intrigantes, a meu ver, é o estudo sobre a origem da palavra Louco em várias línguas (inglesa, francesa, italiana) e aos objetos que ela remete, indo desde uma gaita de fole ao fogo, passando pelo bufão (sapo) e o obtuso.

Festa dos Tolos Imagem retirada de http://www.constelar.com.br/

Festa dos Tolos
Imagem retirada de http://www.constelar.com.br/

Quem conhece a história do Corcunda de Notre Dame, de Vitor Hugo, sabe da Festa dos Tolos, na qual por um dia todos invertiam papéis. Os nobres viravam camponeses e vice-versa. Desta, outra festa importante nasceu: o Carnaval que, até hoje, mantém esta conotação de “suspensão das convenções”, quando tudo é possível e o único objetivo é a diversão.

Old English Tarot

Old English Tarot

Por fim, pela autora, o Louco influencia nossa vida de maneira criativa, pois “sua curiosidade impulsiva impele-nos para sonhos impossíveis, ao passo que sua natureza folgazã tenta atrair-nos de volta ao laissez-faire dos dias de infância.” Ou seja, “sem ele nunca empreenderíamos a tarefa do autoconhecimento.”

Veja aqui outros textos sobre o Louco:

Tarô e Cultura – Louco e o Bobo da Corte

Tarô e Cultura – Louco – Sátiros/Faunos

O que você faz quando é atingido pela infantilidade do Louco?

Boas maneiras com o Tarô: Louco

Se você tem conta no Skoob, acompanhe minha leitura aqui

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Sobre Vanessa Mazza

Graduada em Comunicação Multimídia pela UMESP, já trabalhei com mídias e publicações (jornais, internet e revistas), mas minha paixão sempre foi o Tarô, com o qual tenho uma vivência de mais de 20 anos. Atualmente resido em Franca, em São Paulo, sendo taróloga profissional – atividade reconhecida pelo ministério do trabalho desde 2002 – e atendo preferencialmente por chat e email.

Publicado em 08/26/2014, em Artigos, Resenhas de Livros, Tarô e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

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