Tarô e Cultura: Mago – Merlin


O Mago Merlin, o conselheiro do reino de Arthur, é um personagem que até hoje não se sabe se foi real e, se o foi, até que ponto o que se diz sobre ele é verdade.

Segundo a trilogia de Mary Stewart, uma autora inglesa especialista em lendas/estórias arturianas, e que gosto muito por ser mais realista, Merlin, nascido Myrddin Emrys, era filho de uma priscesa de Gales do Sul, região onde atualmente se encontra o país de Gales. Naquela época, início da Idade Média, não existia Inglaterra. O que havia eram diversos povos bárbaros lutando por territórios: galeses, jutos, anglos, saxões, etc. Apesar disso, um Grande Rei, chamado Vortigern, controlava a região, após ter roubado o trono de Aurelius Ambrosius, o pai de Merlin. A problemática estava no fato de que Ambrosius estava exilado na Bretanha Menor (região da Bretanha na França), montando exércitos para reconquistar seu trono. A mãe de Merlin, sabendo dessa situação política complicada, nunca contou quem era o pai do menino, atribuindo seu nascimento a uma geração espontânea de um demônio, daí que, quando Merlin nasceu e passou a apresentar mediunidade, além de interesse por plantas e poções, ficou rapidamente conhecido como o Príncipe das Trevas. Como o destino tem dessas coisas, inevitavelmente Merlin acabou conhecendo seu pai, mas nunca quis assumir o comando de exércitos nem do novo reino. Preferia ficar à distância, observando, estudando e aconselhando. Tanto é que quando Ambrosius morreu, logo depois de ter reconquistado seu trono, quem subiu ao poder foi seu irmão, Uther, que viria a ser o pai de Arthur. Já que este último foi concebido de forma ilegítima (Igraine ainda era casada com o Duque da Cornualha quando Uther foi “visitá-la”), Merlin se comprometeu a cuidar do menino (seu primo) e garantir sua segurança até que um dia, se fosse necessário, ele retornasse para assumir o posto do pai.

O Tarô Arturiano traz, numa certa obviedade, Merlin como representante da carta Mago. A questão é, Merlin tem os mesmos atributos deste arcano? Conhecendo a estória, eu diria que esta figura está mais para uma combinação de Papisa, Papa, Eremita, Enforcado e Julgamento do que Mago. Digo isso porque ele tinha a questão da observação, da abstinência da primeira, misturada com o poder espiritual de ser conselheiro e ditar a moral do segundo, assim como também tinha a solidão e o isolamento, sempre se retirando da sociedade para refletir do terceiro, juntando ao fato de sempre colocar o interesse dos outros acima dos seus próprios (primeiro seu pai, depois seu tio, depois seu primo) do quarto e, por fim, a questão das profecias que, de vez em quando, ele anunciava em alto e bom som do quinto.

Ou seja, apesar de ter domínio sobre muitas artes diferentes, o que poderia aproximá-lo do Mago – a estória conta que ele sabia tocar harpa, cantar, tinha habilidade com plantas medicinais, conhecimentos de engenharia, etc – ele nunca teve um caráter jovial ou inquieto. Mesmo criança já passava uma aura de sabedoria e maturidade.

Assim, eu vejo a associação mais como uma forma fácil de ilustrar o Mago num tarô sobre contos arturianos do que uma tentativa de dar uma dimensão real ao personagem Merlin pelos símbolos das cartas.

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Sobre Vanessa Mazza

Graduada em Comunicação Multimídia pela UMESP, já trabalhei em emissoras de TV, produtoras de vídeo e cinema, além de ter sido assessora de imprensa de um órgão do Governo do Estado de São Paulo. De 2008 a 2011 me envolvi com a área de internet do Grupo Corrêa Neves de Comunicação em Franca, cidade do interior paulista para a qual me mudei para ter mais qualidade de vida e bem-estar. Dessa forma, pude me dedicar mais intensamente ao tarô, com o qual tenho uma vivência de 17 anos e mais de 5 mil atendimentos, e outros assuntos holísticos, escrevendo artigos e realizando consultas. Atualmente resido em Petrópolis, no Rio de Janeiro, tendo assumido completamente minha profissão de taróloga – que passou a ser reconhecida pelo ministério do trabalho desde 2002 – e atendo preferencialmente por chat e email.

Publicado em 07/29/2012, em Artigos, Tarô, Tarô e Cultura e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

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