Tarô e Cultura: Enforcado/Pendurado – Rapunzel


Rapunzel é uma estória de conto-de-fadas publicada em 1812 na Alemanha, pelos irmãos Grimm. Tendo sido uma adaptação de um conto chamado Persinette, de Charlotte-Rose de Caumont de La Force,  publicado em 1698, o enredo conta a saga de uma moça adotada/raptada por uma bruxa quando bebê, que, ao ficar “mocinha” é presa numa torre muito alta no meio de uma floresta. Ao longo dos anos de confinamento, a menina, que nunca corta seus longos e loiros cabelos, acaba sendo dona de uma trança gigantesca. A bruxa diariamente vai à torre visitar a “filha” para levar comida e conversar com ela. Para evitar invasores e também que a menina fuja, a “mãe”  usa as próprias tranças de Rapunzel para subir até o cume da torre, onde se encontra uma janela pela qual a donzela espia o mundo e sonha com o dia em que poderia conhecer mais da vida do que apenas seu quarto. O conflito acontece quando um príncipe, que se perdera na floresta, percebe a situação de Rapunzel e, passando-se pela bruxa, sobe até ela usando suas tranças. Ambos se apaixonam e planejam uma fuga. Por dias Rapunzel tece uma corda para poder escapar. Porém, a bruxa descobre, corta os cabelos de Rapunzel e a manda para um deserto. Depois, monta uma armadilha para o príncipe, cegando-o. Apesar de todas essas tragédias, os amados acabam se reencontrando, o príncipe volta a enxergar com as lágrimas curadoras de Rapunzel e vivem felizes para sempre, como manda a cartilha.

Qual a relação dessa carta do Tarô dos Contos de Fada de Lisa Hunt com o Enforcado no baralho clássico?

A impressão que tenho é que a estória da Rapunzel aqui lembra o lado impotente do Pendurado, que deve esperar (a visita diária da bruxa) e não intervir (prisão na torre), assim como seu idealismo (deve haver algo de bom no mundo lá fora) e mesmo a ideia de sacrifício (é o que minha mãe quer), afinal, sabemos que a bruxa havia convencido a menina de que ficar aprisionada na Torre era o melhor para ela. Portanto, aquilo não era visto como uma prisão, o que com certeza traria revolta, e sim uma fortaleza de uma mãe super-protetora, onde o mundo hostil ficava do lado de fora.

É claro que esta estória não preenche perfeitamente a imagem arquetípica do Enforcado, mas essas associações, a meu ver, visam mais uma expansão do saber do que criar uma nova significação, seja mudando o conjunto simbólico, seja atribuindo aos arcanos novos valores ou aspectos.

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Sobre Vanessa Mazza

Graduada em Comunicação Multimídia pela UMESP, já trabalhei em emissoras de TV, produtoras de vídeo e cinema, além de ter sido assessora de imprensa de um órgão do Governo do Estado de São Paulo. De 2008 a 2011 me envolvi com a área de internet do Grupo Corrêa Neves de Comunicação em Franca, cidade do interior paulista para a qual me mudei para ter mais qualidade de vida e bem-estar. Dessa forma, pude me dedicar mais intensamente ao tarô, com o qual tenho uma vivência de 17 anos e mais de 5 mil atendimentos, e outros assuntos holísticos, escrevendo artigos e realizando consultas. Atualmente resido em Petrópolis, no Rio de Janeiro, tendo assumido completamente minha profissão de taróloga – que passou a ser reconhecida pelo ministério do trabalho desde 2002 – e atendo preferencialmente por chat e email.

Publicado em 07/28/2012, em Artigos, Tarô, Tarô e Cultura e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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