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ENTENDENDO O I CHING: O POÇO

O Poço é a imagem do Hexagrama de nº. 48: Ching. Nele, acima está a Água, o Abismo e abaixo está o Vento que penetra, O Flexível:
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A figura do poço nos remete ao conceito da eterna renovação. Quanto mais água tiramos do poço, mais a água se renova e permanece purificada, porém, se paramos de buscar o conteúdo do poço, a água se torna parada e estagnada.

Se pensarmos que a água do poço representa nossa fonte energética de vida e que, quanto mais nos tornamos disponíveis, flexíveis, permitindo que outras pessoas possam “beber de nossas águas”, ou seja, de nossos conhecimentos, de nossa alegria e de nossa fé, mais alimentados por estes mesmos sentimentos estaremos, pois é no constante fluxo de troca que a energia se mantém viva dentro de nós.

Mas, se começarmos a manter tudo somente para nós, sejam idéias, sentimentos, conhecimento, exigindo ainda que os outros só nos dêem mais e mais, nosso poço, nossa fonte central, pára de fluir. Então vêm as doenças, as infelicidades, o abandono e nos sentimos vazios por dentro. Esquecemos que para nos sentirmos completos é preciso dar primeiro.

Afinal, como receberemos algo bom em troca, se só estamos deixando disponíveis águas saturadas e contaminadas?

Além disso, num sentido mais global e menos pessoal, um observador atento reparará que o nome deste Hexagrama “Ching” é o mesmo do segundo nome do Livro das Mutações: I Ching.

Sabe-se que na língua chinesa o termo “I” faz alusão aos conceitos de “mutação, não-mutação” (lembram-se do símbolo do Yin e Yang?). Enquanto isso, a palavra “Ching” quer dizer “poço”.

Dessa forma, citando o próprio Hexagrama 48, encontraremos que: Um poço em cujo interior há uma fonte que verte a água da vida é, sem dúvida, um bom poço e O importante é que se beba de sua fonte, e que suas palavras sejam aplicadas à vida. O que são excelentes definições para o I Ching como um todo.

Portanto, que o poço de conhecimento chinês – assim como qualquer outra representação de fonte viva de idéias a qual você tenha acesso e que o leve ao bem, à alegria e à harmonia – possa ser sorvido por você e por todos, sendo infinitamente partilhado, assim como faríamos a um poço de água límpida e refrescante.

Assim, espalhando verdades positivas, estaremos mantendo um clima de igualdade, respeito e colaboração entre todos, pois a riqueza que você possui, o outro também pode ter acesso. Então, como se poderá permanecer triste, solitário, desprotegido quando todos partilham e se importam?

É por isso que é essencial que você não permita que água do seu poço estagne dentro de você.

Renove-a e renove-a agora!

ENTENDENDO O I CHING: A PROGRESSÃO


A progressão é a imagem do Hexagrama de nº. 19: Lin. Nele, acima está a Terra, receptiva e abaixo está o Lago, a alegria:


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Num momento em que grande parte de nós se sente em retrocesso, o grande livro sagrado dos chineses vem nos dizer que, antes de tudo, o progresso sempre se inicia com um sentimento de esperança e entusiasmo.


É bem provável que a falta de objetivos e a pressa em querer avançar a qualquer custo, tenha nos deixado desorientados e sem energia.


Por isso, muitas vezes o fruto acaba morrendo antes mesmo de cair da árvore, simplesmente porque não teve espaço, nem tempo para crescer e se desenvolver da forma correta.


Portanto, quando formular um desejo dentro de si, uma vontade, não a deixe se desvanecer antes de ganhar forma, nem a faça acontecer antes do tempo. Simplesmente permita que ela tome seu curso, que siga seu ritmo.


Não pense que você tudo entenderá ou que caberá somente a você levar a cabo seus sonhos de progresso. A vida é um mistério de cores, sabores, impressões e experiências que você vive e na qual você aprende e evolui.


Progredir faz parte da sua destinação, de toda forma, independentemente de como você viva.


Então, porque correr tanto?


Afinal, progredir também significa “estar no caminho do êxito”.


Concentre-se no seu objetivo e siga em frente. Haverá muita coisa no meio do caminho para assimilar, antes de chegar lá.


2008 – O ANO DA SOLIDARIEDADE

Quando decompomos o ano de 2008, encontramos o hexagrama 20 – Kuan – A Contemplação e o hexagrama 08 – Pi – A União. Ambos falam de um estado profundo de meditação, de pura observação, enfim, de conexão com a Vida, a Natureza e todas as pessoas ao nosso redor.

Mesmo num mundo tão complexo e cheio de contradições e divergências é possível ver a simplicidade, a beleza e a justiça da Vida seguindo seu curso, com a nossa interferência ou não. Infelizmente, aqueles que ainda persistem num ponto de vista caótico, cheio de tristeza e descrença, são incapazes de enxergar o real sentido por trás de tudo, o que gera pânico, depressão, isolamento, agressividade e desconfiança entre todos os seres.

Essa separação faz com que todos nós sejamos mais fracos. Nossa energia é desperdiçada com maus pensamentos, más palavras e atitudes. Não temos tempo para nada que importa de verdade, mas gastamos nossas horas com futilidades, na maioria das vezes querendo controlar situações ou pessoas, simplesmente sufocados por medos e inseguranças, paralisados pela culpa ou pela vergonha.

Num tempo tão dualista, é preciso escolher um lado: o lado da separação ou da união; do falatório sem sentido ou do silêncio profundo; do egoísmo e indiferença ou da cooperação e compaixão.

Com o Hexagrama 20, o I Ching diz que “para chegar a uma compreensão profunda, é indispensável observar, refletir e meditar”, além disso, “compreender as necessidades dos outros confere dignidade, suscita respeito e garante o apoio daqueles que são nossos seguidores.”

Quando unimos os dois hexagramas citados, temos como linha mutável a primeira, que reforça ainda mais este conceito de respeito ao próximo, ao afirmar que “a superficialidade e a indiferença em relação aos problemas dos outros são imperdoáveis naquele que se considera uma pessoa evoluída”.

Já o Hexagrama 08 confirma que o isolamento não é nada saudável, pois ser solidário é uma das relações mais nobres, porém mais difíceis de se praticar, pois exige generosidade e desprendimento de cada um de nós.

Não há igualmente como ser solidário apenas algumas vezes. Isso tem que ser um estado de espírito constante. Isso explica porque existe tão pouca solidariedade no mundo atual. Com tanto medo e desconfiança, como se pode estender à mão ao desconhecido? Ser solidário é se comprometer, é se permitir ser íntimo. Entretanto, como se pode ser aberto ao mundo se não temos segurança e fé em nós mesmos?

É vital então unir-se aos outros.

Em 2008, faça parte de uma comunidade. Compre uma idéia. Participe de algo maior que sua própria vida. Seja solidário!

Referência I Ching – O Livro das Mutações, Ed. Círculo do Livro, São Paulo, 1994.

ENTENDENDO O I CHING – YIN E YANG

Pode-se dizer que os conceitos do Yin e do Yang já estão bastante difundidos na nossa linguagem cotidiana, assim como seu símbolo, tantas vezes reproduzido em publicações e no meio audiovisual.

Diagrama de Taiji

Mas você sabe dizer qual é a origem do conceito dessa dualidade que o símbolo representa?
O Tao – literalmente o Caminho – é conhecido como a filosofia da cultura chinesa, da qual surgiu o Yin e o Yang, símbolos que compõem o Diagrama de Taiji, a imagem da integração, segundo a qual duas forças complementares se unem para compor tudo aquilo que existe no Universo. No caso, “as dez mil coisas” de acordo com Lao Zi, fundador do Taoísmo.
Em outras palavras, é no equilíbrio dinâmico criado de maneira espontânea por estas energias, nunca imóveis, que surge todo movimento e mutação da vida.
YIN – Passivo, Feminino, Frio, Escuro, Repouso, Negativo, Noite.
YANG – Ativo, Masculino, Calor, Claro, Movimento, Positivo, Dia.
Essas características são apenas exemplos de como cada energia se expressa e se manifesta no mundo dito físico. Não há mais ou menos importante entre elas. Tanto o Yin quanto o Yang possuem a mesma força, só que em sentidos opostos. Enquanto o primeiro é negativo, o segundo é positivo e tal como as cargas elétricas, os opostos se atraem e se complementam, já que um dá origem ao outro.
Para os chineses e seu I Ching, o sentido de todos os hexagramas e suas linhas mutáveis se baseia nestes dois “pólos arquetípicos da natureza”. Então, ao se consultar o Livro das Mutações, pode-se perceber essa dinâmica e como as mudanças ocorrem dentro das situações descritas e intepretadas pelo oráculo.
Dá, inclusive, para notar essa interatividade na representação dos trigramas (Céu, Terra, Trovão, Vento, Fogo, Água, Montanha e Lago) e suas combinações (hexagramas), que são adaptações/ evoluções dos Cinco Elementos ou Cinco Poderes, a saber: Água, Fogo, Madeira, Metal e Terra, dos quais falaremos no próximo texto.

Próximo texto: Como Jogar

ENTENDENDO O I CHING – INTRODUÇÃO

O estudo do I Ching, e mesmo sua utilização, costuma ser subestimado, principalmente se o compararmos à popularização que o tarô, por exemplo, atingiu nos últimos séculos.

De fato, o I Ching, além de ter como base uma filosofia puramente oriental e milenar, teve sua difusão realizada de maneira muito menos enfática e, com certeza, muito mais recente.

Sabe-se que as primeiras edições do livro produzidas em maior escala no Ocidente, só vieram em meados do século XX, tendo inclusive ganhado em 1948, numa tradução para o alemão, um prefácio do célebre discípulo de Freud, Carl Gustav Jung. Esta demora acabou por definir o I Ching como um movimento esotérico, por assim dizer, com pelo menos 500 anos de atraso em relação ao tarô.

Mas, afinal de contas, o que é o I Ching?

Existem muitas teorias, mitos e lendas sobre o surgimento deste livro que é considerado, juntamente com a Bíblia, o mais antigo do mundo.

Tratando das mudanças dentro da Natureza e como elas influenciam os destinos dos seres humanos, o I Ching, igualmente conhecido como O Livro das Mutações, pode ser entendido como uma compilação de tratados morais e filosóficos baseados na alternância de linhas abertas e fechadas (yin e yang), que quando formam três, são chamadas de trigramas, e ao serem combinadas duas a duas, se tornam hexagramas (seis linhas).

Existem 64 possibilidades de combinações e, portanto, 64 hexagramas que podem ser consultados por meio de três métodos tradicionais:

Cartas: sendo o mais simples de todos, basta embaralhar e retirar duas cartas para a leitura.

Moedas: considerado um método intermediário, cada moeda possui dois lados, um que representa uma linha aberta e outro, uma fechada. Jogando-se uma seqüência de 6 vezes, consegue-se o hexagrama que deve ser lido.

Varetas: o mais complexo de todos e igualmente o mais tradicional, baseia-se num maço de 50 varetas que são postas sobre uma mesa de maneiras alternadas.

Cada jogada, independente de qual seja o método utilizado, oferece uma gama de significados muito profundos, que geralmente mais servem como inspiração e conselhos para a resolução de problemas do que propriamente para revelar o futuro.

É por isso que, ao entender melhor os mecanismos pelos quais o I Ching se manifesta, mais proveito se tirará dele no seu dia-a-dia.

No próximo texto, falaremos mais sobre aqueles que formam a base do conceito do I Ching: O Yin e o Yang.

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